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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

ASSIM COMO OS PÁSSAROS AMAM





Quando falavam de amor, imunizavam-se das ilusões, das dores e dos mundos internos dos medos.
Quando falavam de amores, sintonizavam-se apenas com as fragrâncias das flores e os encantos do amor.
Quando viveram o amor, o universo se fez em cores e formas que embeveciam ao próprio Deus.
O que nestes momentos os tornavam completos e munidos de todas as sapiências sobre a vida?
Suas existências, estas, se faziam de infinitas pluralidades, de contínuas experiências e enriquecimentos.
Porque somente nestes momentos, o mundo se esquecia de si e a continuidade da vida não era razão de temores, aquisições ou dominações?


Porque os contextos dos aspectos da vida comungavam em si e entre si, sustentados por atmosferas que se interpenetravam coexistindo em estados e naturezas distintas, porém, perfeitamente harmoniosas e complementares?
Porque abandonar esta atmosfera livre das paixões e das dúvidas?
Sim, das paixões e das dúvidas que contaminam e disseminam-se como um vírus que toma a todas as naturezas sãs, e as corrompem conduzindo-as até o seu estado mais extremo e crítico, a morte.
Olhar pela janela de nossa alma para os verdes campos floridos do divino que reside em cada um de nós, deveria ser a única forma de observar a si mesmo e ao outro.


Reconhecer o quanto fomos dotados de uma natureza límpida e pura, onde seu estado natural conceder-nos-ia por si só a eternidade composta de amor e contemplação.
A perfeição não pode ser uma meta, uma busca, ou inclusive o desconhecimento da mesma. Ela simplesmente reside, oxigena e sustenta-nos sem que se faça necessário a nossa percepção de sua presença em nós. Assim como os pássaros que cantam simplesmente por que esta é a sua natureza, a perfeição em nós, igualmente nos é natural, como o canto dos pássaros o é para estes.
Expressar a sua natureza ao cantar é um ato natural para um pássaro, ele não planeja, ele não ambiciona, ele apenas permite que a sua natureza possa se manifestar. E ao fazê-lo, ele presenteia a toda a vida com beleza e encantamento, sem que para isto, haja qualquer condição ou segregação imposta a qualquer aspecto da vida.


Nós, dotados da energia do amor, temos que simplesmente deixar que ela flua por entre e além de nossos poros, para que esta energia se faça acessível e comum a todos os nossos semelhantes, de maneira incondicional e ausente de naturezas segregadoras assim como os pássaros o fazem em relação ao seu canto.
Quando você dirige amor a si, o universo a sua volta se preenche de cores, luzes e aromas que inebriam as almas que estão conectadas com esta mesma energia. Em assim o fazendo, as expressões que emanam de você apenas se entregam em um ressoar que se sintoniza com o que de mais puro habita em teu ser. A transparência e o brilho de tuas ações e sensações absorvem os contextos individuais e sociais, gerando paz, harmonia e boa vontade entre aqueles que fazem parte de sua esfera de relacionamento.
A naturalidade com a qual este sentimento se mostra é absolutamente envolvente e permeia de maneira profunda e ao mesmo tempo livre, a todos os aspectos da vida com os quais o contato e a abrangência do mesmo ocorram.


Falar de amor é falar de Deus, por esta razão, é imprescindível que tenhamos a ciência clara do que é o amor. Do quanto é importante ater-se interna e externamente a este tema, e mais ainda, vibrar nesta frequência, é antes de tudo uma condição que requer entendimento de que a palavra amor, é o sinônimo de Deus, e que Deus é a mais pura manifestação do amor.
Em razão deste desconhecimento, vemos cenários pobres e desprovidos da beleza natural que somente o amor pode conceder as relações humanas e as circunstâncias nas quais os humanos se envolvem em seus dias, meses, anos e pela vida inteira.


Amar é muito mais do que possamos imaginar, e não ter o conhecimento desta relação e responsabilidade, possivelmente pode ser uma das razões que em nossos dias, tornou a palavra amor e o que ele expressa, uma pálida realidade,  prostituindo-a e vulgarizando-a de uma maneira banal e pueril. 
Ausenta-se do domínio humano o entendimento de que ao amar a si ou ao outro, seja qual for o relacionamento estabelecido, o indivíduo esta em primeira e última análise amando a Deus.
Será que temos a consciência desta verdade?
Será que sabemos que ao amar um filho, um amigo, um irmão, um conjugue, um pai ou uma mãe, estamos na realidade amando a Deus?
Sim, a Deus em uma de suas mais variadas e múltiplas expressões?
E será que igualmente, sabemos que ao direcionar ódio, rancor, mágoa, culpa, julgamento, e qualquer outro tipo de ressentimento, estamos na realidade dirigindo isto tudo a Deus?


Mas, para aquele que reconhece o poder e a perfeição do amor, para este é reservada a atmosfera mais plena que o ser pode alcançar.
Quando o indivíduo se ama verdadeiramente, aceitando a todas as suas manifestações virtuosas e aquelas outras que manifestam desequilíbrios, ele se capacita a viver a atmosfera do amor.
E esta atmosfera contribuirá definitivamente para que ele possa se reequilibrar em todos os seus aspectos que possam manifestar condutas mentais, emocionais e ações que não estejam sintonizadas com o amor.
Viver amando, é o melhor remédio, a melhor escolha para quem deseja realmente reconhecer o Deus que habita em si e reconhece-lo presente no outro.


Não podemos esquecer, amar é a nossa condição natural, espontânea e comum a todos nós, manifesta-lá é uma decisão pessoal, intransferível e desprovida da interferência ou da ação do outro.
Creia, você é o único responsável pelo amor que há em você, ele jamais poderá vir de fora, de outra pessoa para você.
O outro pode apenas mostrar-lhe novas facetas do amor que você pode ainda não ter percebido em você, e isto, em razão direta de sua sensibilidade e aceitação, poderá ser a alavanca e o incentivo para que você descubra estas outras facetas do amor em você mesmo.


Você não será acrescido de novas facetas, vertentes ou qualidades do amor, pois, ele é completo, inteiro, não se faz por metades, contudo, algumas destas outras vertentes do amor podem se encontrar adormecidas em seu interior, e no contato com esta outra ou outras pessoas, pode haver o despertar daquilo que já existe e é presente em você, mas, que até então eram desconhecidos por você.
Quando o amor bater a sua porta, deixe-o entrar, permita que ele se acomode, se instale sem medidas, censuras, condições ou segregações.
Quando ele bate a sua porta, é porque você esta se permitindo descobrir o amor, mas, não me refiro ao amor entre casais, me refiro ao amor como experiência e presença de Deus em você e o consequente reconhecimento no outro.


O amor somente pode ser reconhecido como presente no outro, se em primeiro lugar você o reconhecer presente em seu coração.
Lembre-se, em realidade você esta amando a Deus, em uma de suas múltiplas e infinitas manifestações como Amor em você e no outro.
Quando você finalmente conseguir reconhecer e aceitar este amor, você se capacita para viver o amor e permitir que esta atmosfera possa tornar-te, a verdadeira manifestação de Deus aqui na terra.

Eu vos amo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O TECELÃO



Que falar da vida se nela nos perdemos e em poucas vezes nos  encontramos.
A vida é uma fina seda tecida por um tecelão do qual pouco sabemos de suas intenções.
Até ousamos acreditar que o entendemos, mas, em verdade estamos apenas delirando em nosso pensar, quando cremos que o entendemos.
É demasiado pequeno o universo de nossas almas, para que possamos crer na hipótese de entender o mistério da vida tecida por finos fios, desconhecidos por nós de sua textura e resistência.
Movemo-nos por entre ondas de emoções e sentidos que trafegam sempre por horizontes de escassa razão.
Somos invariavelmente tomados por carne, que envolve a nossa mais pura emanação de vida, e que ao se sentir envolvida e absorvida por esta vil carne, denuncia-se como incapaz de manter-se íntegra e pura. Assim o fazendo, ela se entrega as dominações da matéria expressa em cores e brilhos perfumados com fragrâncias que seduzem a personalidade, e a mantém em estado de embevecimento de si mesmo, como se esta, fosse a sua natureza primaz.
Velamos por entre séculos uma sucessiva alternância de estados anímicos, e confundimo-nos com facilidade ante as frequentes intempéries que experimentamos ao longo de um caminho, onde os fios sutis e suaves, aqueles em que o tecelão se esmerou em tecer, se perdem de nossa mais atenta percepção.
E o que fazer agora quando já não temos mais o contato com o caminho antes tecido para nós?
Romper com nossa origem, tem sido a conduta mais comum e a mais fácil.
Sem o perceber estamos nos distanciando do artesão tão zeloso que se ocupará de nossas mais livres e puras vestes, mas, que estas, se encontram no hoje, impuras e com suas malhas confusas e embaralhadas pelo tempo e pelas nossas escolhas mal conduzidas.
Que tempo se faz no hoje, onde caminhamos sem saber o rumo que estamos tomando?
Vemos a sociedade que em um tempo no passado, foi idealizada para ser humana, mas, que no hoje, apenas expressa uma tênue imagem do que poderíamos ser ou ter sido, se já não houver mais tempo para sê-lo.
Caímos ante as ofertas do brilho e de mãos manipuladoras que tomaram ao nosso destino em suas mãos.
Destino este que perdemos o rumo por nós mesmos, e ao concedermos a aqueles outros, o direito de intervir em nossos caminhos, apenas estávamos nós,  consumando o ato final de nosso erro, que nos conduziu a uma consequência emoldurada por dores e temores.



Os vários tecidos sociais dos quais a nossa sociedade é constituída, oferecem-nos uma grande possibilidade de aprendizado e enriquecimento.
Mesmo no agora, quando estamos distante de nossas mais puras emanações como seres filhos do artesão zeloso, podemos alcançar vitórias pessoais se houver de parte do individuo, compromisso e intenção fortalecidas pelo coração, na obtenção de si mesmo e de sua natureza mais pura.
Mas, em verdade o que vemos em nossa sociedade, é a composição de grupos e individualidades que talvez já não tenham mais esta possibilidade de alcançar este propósito, pois, o grau de perturbação alcançou um nível extremamente perigoso e comprometido com as ilusões da vida que é morte.
Observar a sociedade requer alguns cuidados, requer igualmente um pouco de  compreensão para aceitar o que há.
Sim, ver a sociedade não é mais uma visão que possa habitar aos nossos sonhos em nossas noites de repouso.
Os retratos desta sociedade se fazem de cores negras e turvas, onde a semente feita de luz e amor, deu lugar a outras vertentes de aceitação por parte daquele que um dia foi planejado para ser o humano a habitar este planeta.



AS pessoas perderam o sentido da vida, não acredita no que afirmo?
Muito bem, olhe pela janela de sua alma e veja os cenários da vida que la fora se desenvolvem.
O que você vê?
Retrate-me de maneira imparcial e sem censuras.
Olhe nos olhos dos homens e verás as suas dores e seus medos.
Medos estes, que não são tão somente medo dos outros homens, mas, que também são de si mesmo.
Em que ponto deste trajeto, perdemos o contato com as finas sedas tecidas pelo tecelão?
Quando olhardes para dentro de ti, verás o que?
Talvez nem reconheças a ti mesmo, talvez nem reconheças onde estas e o que fazes aqui.
Mas, não há como fugir daqui, não há como se ausentar conscientemente e movido por sua vontade sem lograr débitos que um dia terão de ser saldados com a vida ou com a morte, em vida ou em morte.
Teus medos são os meus medos, os meus medos se fizeram os teus medos, e nesta troca insana na qual nos arremessamos, desenvolvemos uma sociedade impura e perdida de si mesma.
Onde os valores deram lugar aos temores.
Como um carro que roda a alta velocidade, não temos como parar repentinamente de um todo, temos que desacelerar e somente frear quando houver segurança para fazê-lo.
O que vos digo, é para que se permita PARAR, peço-vos para que se conceda um tempo na velocidade com a qual se move.
Retire o seu pé do acelerador, e lentamente vá reduzindo a velocidade de sua vida.
Ao fazer isto, estarás se aproximando de si mesmo, de uma parte que habita em vós e que esta ávida por se fazer presente em sua vida.
Mas, no ritmo em que aceleras, não logrará êxito em construir a oportunidade de voltar a si mesmo.
Este retorno é imprescindível para que possas reconhecer a tua frente a presença do zeloso artesão, pois, se permaneceres na velocidade em que se moves no agora, teus olhos permanecerão com a visão embaçada e mão terás a oportunidade de reconhecer quem és, e menos ainda, quem diante de ti se encontra, o artesão.


Acalme, olhe para as circunstâncias de tua vida, não se desespere, não perca o controle sobre si. Centraliz-se através de momentos de pacificação de seu ser. Encontre o tempo para ouvir uma música suave, para ouvir o canto dos pássaros, para perceber a  brisa em sua face, a chuva que cai lá fora, ou ainda, a pessoa que sta prócima de você, a veja como um igual a você, uma pessoa que necessita de amor tanto quanto você necessita, se permita.
A vida não é feita através da velocidade com a qual te ensinaram a viver, esta, pelo contrário te levará a morte em vida.
Respire, novamente, respire, ouça esta musica (endereço do youtube= https://www.youtube.com/watch?v=hYgJAN1Ol5g), feche os seus olhos e se acalme.
Eu estou junto a ti, nunca me afastei de ti, apenas me sinta junto a ti.
Respire, acalme-se eu te amo... Eu sempre te amarei...


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

FALANDO DE AMOR

(Amorosamente sugiro a leitura completa do texto).



Amar é uma qualidade em plena extinção, embora, facilmente seja possível observar a busca frenética na qual ela é desenvolvida por nossa civilização.
Claramente fica manifestado aqui, um explícito antagonismo, em razão das minhas primeiras palavras.
Vemos casais estabelecendo associações maritalmente assentadas em sentimentos que violam e burlam a essência desta energia.
Em realidade, creio que este acontecimento ocorra sem a declarada intenção de sua manifestação.
Este me parece muito mais um processo desencadeado em razão de uma conduta moral e ética desequilibrada, como consequência, das novas relações sociais com as quais a nossa sociedade liquida  experimenta. Cada vez mais desenvolvemos em nossa realidade concreta, um processo decrescente em termos de qualidade e valor dos conceitos humanos.



Em alguns momentos, fico divagando acerca de uma questão que me leva a hipóteses e teorias ainda carentes de maior substância em seu desenvolvimento.
A divagação a qual me refiro se relaciona diretamente com o amor, ou ainda, com a materialização deste amor nas relações hetero e homossexual.
A divagação é:
“Por que invariavelmente em uma relação amorosa, a relação sexual é o caminho premeditadamente aguardado pelos amantes?”
Esta questão me incomoda sob o ponto de vista espiritual. Pois, a ideia que se cria é a de que se não houver sexo não há amor.
Não se precipitem em suas conclusões em relação à enunciação desta questão.



Compreendo obviamente que vivemos em uma realidade material, e consequentemente, a relação física faz parte desta esfera de vida. Assim como também entendo, que ao humano, o contato físico parece ser a forma mais plena de demonstrar o amor.
Contudo, não lhes parece que a sexualidade se impôs ao amor, na medida em que vemos de maneira clara a exagerada valorização do prazer físico em uma relação, se sobrepondo este, ao sentimento que possa ser gerado nesta mesma relação?
Percebo que as pessoas confundem com muita facilidade “desejo” com “amor”, ou, “carência” com “amor’, ou ainda, “paixão” com “amor”.
E na ânsia de atender a estas demandas pessoais, se entregam a relacionamentos desequilibrados e castradores de uma verdadeira condição amorosa, em favor da satisfação de um prazer físico, ou, o atendimento a uma exigência emocional ou social.



O homem como espécie, necessita copular para gerar a vida, mas, a muito tempo perdemos a noção do valor deste ato e o relegamos a uma secundária condição.
O amor seria a razão para a geração da vida, mas, possuímos exemplos em larga escala em nossa sociedade do quanto a vida tem sido gerada, como um acidente em razão de gravidez indesejadas. Vemos o crescente descuido na prevenção deste acontecimento em relações sexuais ocasionais e deprimentes.
No reino animal, a copula acontece basicamente para a geração da vida, raras são as espécies que usam o sexo como instrumento do prazer como  nós o fazemos.



Neste momento, alguns podem estar pensando, “mas, nós não somos animais”, francamente, em muitos momentos seria um desrespeito aos animais estabelecermos esta comparação.
Agimos em muitas ocasiões como bestas humana, e bem distante de como agem os animais.
Enfim, esta é outra discussão e não me centrarei nela neste momento.



O que desejo trazer como reflexão, é exatamente o fato de que a vida moderna deu contornos surreais ao amor.
Tenho o entendimento de que é necessário o autoconhecimento e o conhecimento de seu parceiro como forma de florescer o amor.
Um sentimento não nasce simplesmente pelo olhar, pela fisionomia ou pelas posses materiais de um dos parceiros. Também não pode ser o resultado de nossas carências, traumas ou crenças adquiridas ao longo de nossa existência.
Desenvolver este sentimento requer mais do que a corrente superficialidade, com a qual as pessoas estão habituadas a se vincularem.



Igualmente nesta relação, somente pode haver enriquecimento quando há sintonia, igualdades, respeito, confiança, empatia, liberdade e admiração recíproca.
Qualquer atmosfera distante disto identifica-se com aqueles relacionamentos, que vemos repetirem-se ao longo de vidas e vidas, sem que preencham os vazios do coração e da alma. E invariavelmente tem nos induzido a erros primários no ato de amar.
Quantas vezes já ouvimos ou verbalizamos esta frase: “Ele (a) era muito diferente quando o (a) conheci”. Observação esta, gerada por consequência do momento presente (desequilibrado) em que se encontra a relaçao.
Quando enunciamos ou ouvimos esta frase, estamos em realidade, denunciando a precipitação com a qual se chegou a conclusão de que havia, amor na relação assumida.



Ouço de muitas outras pessoas a seguinte frase: “Este é o meu jeito de amar”. Desculpem-me os que falam esta frase, mas, não existem jeitos de amar, existe um único, amar amando.
O que parece óbvio é que sabemos muito pouco sobre o amor, e se sabemos pouco sobre o amor, igualmente é óbvio que não sabemos amar.
O amor não tem medidas, condições, formas, aspectos, ele apenas é. E para se amar uma pessoa e necessário em primeiro lugar você se amar. Se esta condição não se encontra atendida, não se iluda, você, não ama a quem  pensa estar amando, pois, o amor começa em nosso interior, ele não vem de fora para dentro.



Outro equivoco que ouço regularmente, “Ele (a) me completa”. Errado, ninguém completa a alguém, o que acontece, ou melhor, deveria acontecer, é a pessoa que se relaciona conosco, contribuir pata que o nosso melhor possa se fazer presente em nós e na relação que se possui. A presença dele ou dela tem de criar condições para que ambos se mostrem  de uma maneira mais completa, mais consciente, mais inteira, mais verdadeira e mais amorosa.
O amor em sua forma mais ampla traz o enriquecimento do ser, e este enriquecimento se manifesta por uma singularidade tão expressiva, que torna ao amante, um ser capaz de manifestar o seu eu interior tão abundantemente virtuoso, quanto virtuoso, se torna o seu parceiro no encontro com este mesmo amor.



Como não estamos preparados para viver isto, na medida em que desconhecemos esta realidade, nos lançamos de olhos vendados a aventuras amorosas  que se finalizam em pouco tempo, ou se estendem pela vida toda, trazendo apenas infelicidade e desilusões.
O amor não foi criado por Deus para que as pessoas mudem (mesmo porque Deus é o próprio amor, ele não o criou, ele É), o amor existe para que nos reconheçamos como seres amorosos. O Amor é a atmosfera divina que nos concede a capacidade de nos descobrir como almas. 



E a partir desta descoberta pessoal, viver juntamente com o seu parceiro (a), um contínuo movimento de expansão neste crescimento pessoal, acompanhado (a) por um parceiro (a), que igualmente experimenta este mesmo crescimento.
E na união destas singularidades, que cada um alcança o florescimento de suas mais elevadas virtudes, como almas que vivem se abastecendo contínua e mutuamente no amor que reside em si, e naquele que germina resultante da troca que se estabelece entre os amantes.



Mas hoje, o amor transformou-se em um grande negócio. Sim, é através do amor que vemos indústrias de cosméticos cada vez mais enriquecerem. A indústria do vestuário ditando o que devemos ou não usar, a indústria do corpo determinando o aspecto físico que é atraente ou não.
Talvez, possa não ser percebida a relação que estabeleço, mas, você já parou para pensar que todas estas indústrias acima identificadas, usam em suas propagandas o poder da conquista, da sedução e da beleza?
Para que?
Para que o homem e/ou a mulher conquistem o seu amor, ou estou enganado?



Com esta observação, o que eu quero deixar evidenciado, é o quanto perdemos a noção do amor e aceitamos as sugestões  devidamente articuladas por conglomerados econômicos. Estes conglomerados usam conscientemente em seu favor uma das mais carentes manifestações na vida do ser humano, o amor. Mas inteligentemente camuflam o amor, com ofertas outras que se tornam enganosas e nos iludem, mas, tem subliminarmente ao amor, como conquista em seu foco oculto e central nesta oferta ilusória.



Resgatar em nós a condição de movimentação      através e pelo amor, é uma tarefa que para muitos se torna cada vez mais distante.
Viver o amor traz enriquecimento e o florescimento do ser.
Não afirmo que não existam casais que experimentam esta realidade, assim como também não afirmo que as pessoas não querem viver esta atmosfera amorosa em suas vidas. Claro que compreendo esta busca como presente em cada um de nõa, mas, não posso deixar de observar e  registrar o descaminho que permitimos se apossar de nós.



Em algum momento perdemos a referência nesta busca, que não pode se expressar como uma conquista, uma vitória ou qualquer outra identificação similar a estas.
A única busca a qual me refiro, não se expressa por conceitos gerados no ego, a verdadeira busca concede-nos a sublimação de nossos aspectos desassociados  da vida e do amor.
Conduzindo-nos de maneira espontânea ao encontro em nós desta natureza tão suave e clara, límpida e profunda como o é a existência de Deus em cada um de nõs.



Em meu trabalho, tenho por vezes sido muito contundente em minhas opiniões, quando as expresso em relação a relacionamentos que são trazidos ao meu conhecimento.
Por percebê-los doentes e consumidos pelo medo e a dor, sugiro o mais breve rompimento desta relação em favor de ambos os parceiros.
Não posso conceber a sustentação de uma relação, onde o amor tenha a muito se tornado apenas uma tênue recordação, por mais singela e superficial que ela tenha se feito presente na vida das pessoas em questão.
Não posso em nome de circunstâncias materiais, físicas e sociais, incentivar a manutenção de uma relação que não esteja despertando o amor aos seus participantes.



Em todos estes esquecimentos aos quais nos entregamos em nossas vidas, este talvez seja o mais doloroso, o mais triste e o mais agressivo.
Perdermos a consciência do amor e a nossa real natureza amorosa, machuca a alma de uma maneira que somente pode ser compreendia em nível de alma, distante, portanto, da compreensão enquanto manifestamo-nos pelo ego.
Nós estamos aqui por uma única e simples razão, descobrir e permitir que o amor floresça em nós, uma semente que seja regada e acarinhada em cada dia de nossas vidas, para que desta forma, possamos permitir o seu florescer, e o abrir-se em pétalas sagradas de uma flor que nos tomará por completo  e nos transportará aos jardins do Deus que habita em nós.



Isto não é um sonho, uma ilusão, uma alucinação ou qualquer outra identificação menor do que estas.
Isto é um fato, uma realidade, é concreto e puro, e somente poderá ser alcançado quando aceitarmos esta verdade em nossos corações.
Não vim aqui para semear a ilusão, o que AFIRMO, é resultado de vidas que se misturam em uma existência que transcende a comum compreensão humana.
Infelizmente, ainda não estamos conscientes desta condição, mas, a vida somente tem um caminho a ser seguido, e este caminho, em cada passo, em cada respiração, em cada gesto e em cada palavra tem que ser escrito na atmosfera do Amor.



Eu os deixo aqui e agora, exatamente neste ponto, para que possam pensar nas palavras que aqui foram formadas e manifestadas, mas, há algo ainda a lhes dizer sobre o amor.
Será falado daquele amor que pulsa, que vibra e brilha dentro do coração e da consciência de cada um de vocês...   



Eu sou um em vocês.
Eu sou o amor no amor de vocês.
Eu sou aquilo que vocês são, o eterno amor no próprio amor.




FAÇO




FLORICULTURA PRIMAVERA





Em uma manhã de primavera Deborha, ocupava-se de suas rosas. Uma a uma eram igualmente acariciadas e cuidadosamente umedecidas.
Deborha, é uma mulher em seus 34 anos, cabelos loiros cacheados, pele clara, andar sereno, olhar de um azul profundo, extremamente observador, porém, dotado de uma doçura que a todos encantava.
Seu sorriso... Falar do sorriso de Deborha é ter a sensação de que a vida é simplesmente alegria e encantamento.



Talvez a alegria que Deborha detinha e que a todos envolvia, vinha exatamente de seu ambiente de trabalho. A tempos a floricultura “Primaveras”  tomava toda a atenção e os cuidados desta encantadora figura humana.
Mas Deborha, não é a única proprietária, ela tem uma sócia que se chama Patricia, linda morena, de poucos sorrisos e de humor instável, nunca se sabia de que maneira dever-se-ia aproximar dela, pois, ora era suave, ora ríspida e grosseira com funcionários e até mesmo com os clientes.
Deborha ao perceber esta instabilidade no humor de sua sócia, tomou para si as funções comercial e a de recursos humanos, deixando a Patrícia, o domínio sobre as áreas financeira e de compras da floricultura.
A relação que havia entre elas sempre foi muito equilibrada, independentemente do humor de Patricia, pois, a amizade que as unia foi construída ainda na infância das mesmas.



Naquela manhã Deborha percebeu o atraso de Patrícia, o que éra absolutamente incomum.
O normal sempre foi Patricia ser a primeira a chegar na floricultura, este atraso a preocupou, pois, percebia Patrícia mais silente nos últimos dias.
A manhã foi avançando nas horas, até que já passadas três horas Patricia chega, de óculos escuros, semblante fechado, passa por todos sem esboçar qualqur tipo de saudação.
Deborha apenas observa e continua seu trabalho, junto a duas senhoras indecisas, que se demoravam em escolher qual orquídea haveriam de comprar.
O dia prosseguiu, cada uma delas ocupada com os seus afazeres. No fechamento da floricultura, aproveitando-se de que estavam sozinhas, Deborha se aproxima de Patrícia e lhe diz:



- Querida que há com você hoje, chegou não falou com ninguém, manteve-se no escritório o dia inteiro, o que esta acontecendo com você?
Tentando disfarçar o desconforto da pergunta por Deborha dirigida a ela, Patrícia, esboça um tímido sorriso e responde-lhe em um tom de voz quase inaudível:
- Estou bem.
Deborha conhecendo a amiga desde os tempos de escola sabe que a resposta dada por Patrícia não condiz com a verdade.
Por esta razão sente-se bem a vontade para insistir em sua pergunta?
- Patrícia, eu a conheço desde o tempo em que engatinhávamos nossos primeiros passos, portanto, não adianta você tentar me enganar.
Patrícia se sente nu diante da amiga, pois o que  lhe foi dito é um fato do qual ela não pode negar, uma conhece a outra como se fossem irmãs. E sentindo-se a vontade diante desta amiga-irmã, Patrícia é tomada por lágrimas que vertem de seus olhos sem medidas ou constrangimentos.



Patrícia chora abraçada em Deborha por um longo tempo, até que aos poucos ela vai se acalmando, ante aos carinhos e os cuidados da amiga.
Cautelosamente Deborha, lhe pergunta mais uma vez:
- Pattrica, fale o que aconteceu, somente assim eu posso te ajudar?
Olhando aos olhos de Deborha, e já mais calma, Patrícia passa a descrever o que acontecerá com ela.
- Minha querida amiga, não sei mais o que fazer de minha vida, eu não posso perder o Paulo, ele disse-me que não me ama, que quer ir embora, como eu vou viver sem ele ao meu lado, como?



Em silêncio Deborha, continua a ouvir sua amiga.
- Temos dez anos de relacionamento, o que os meus amigos vão dizer de mim, o que a  minha família vai falar, eles vão certamente me culpar pela separação.
Eu já estou acostumada com ele, fizemos planos juntos, vivemos momentos tão belos e hoje não resta mais nada disto.
Paulo falta-me com o respeito, manda-me calar a boca até na frente dos amigos dele.
Censura-me em quase todas as minhas opiniões, até as roupas dele quem comprava ela eu, agora ele não quer mais que eu as compre.



Sinto-me uma inútil, parece que nada que faço tem valor, nada que eu faço esta certo.
Nem me procurar mais como mulher dele ele o faz, me diz que perdeu o desejo por mim, tenho dele apenas alguns momentos quando ele se embriaga e não tem noção do que esta fazendo, nestes momentos eu o tenho como meu marido, mas e depois, vem todo o desprezo, ele me diz que tem nojo de mim.
Mas eu o amo, entende Deborha, ele é o homem da minha vida, eu não sei viver sem o Paulo, o que vai ser de mim?



Continuando a descrever seu quadro, Patrícia segue falando sem dar oportunidade para ser interrompida por Deborha;
- Quando nos conhecemos ele era muito diferente, ele me mandava flores, dizia a toda hora que me amava, que queria ter filhos comigo, agora, ele diz que seria um pesadelo trer um filho comigo, seria uma tortura para a toda a vida.
A alguns dias quis fazer uma surpresa para ele, preparei um jantar para nós a luz de velas, quando ele chegou e olhou tudo o que eu preparei para nós, ele disse que tinha marcado um compromisso com os amigos, saiu e me deixou no chão chorando.
Entende Deborha, a minha vida é o Paulo, eu sem ele sou nada, não sei que rumo dar em minha vida, acho que eu morro sem o amor dele por mim.
O que você acha disto tudo que eu lhe falei, diz amiga, você vai me ajudar a reconquistar o Paulo?



De posse da doçura de sempre, Deborha se levanta apanha um copo com agua para Patrícia, e volta a sentar-se diante dela.
Lhe segura as mãos, olha-lhe nos olhos e suavemente começa a se fazer ouvir por Patrícia.
- Minha doce e querida amiga, há quanto tempo nos conhecemos?
Quantas coisas já vivemos juntas, quantas viagens, quanto mico já pagamos juntas, lembra?
Sempre fomos inseparáveis na escola, dividíamos as nossas tarefas, tínhamos praticamente duas mães e dois pais, isso sempre foi muito bom, você não acha?
- Sim. (responde Patrícia)
Deborha retoma a sua fala e argumenta a Patrica.
- Lembra-se dos nossos primeiros namorados, nós tínhamos medo de beijar na boca, acreditávamos que teríamos vergonha e que podia ser nojento, hahahahaha.
Neste momento as duas riem juntas, mas logo a seguir Deborha continua.
- Nossas experiências quase sempre foram compartilhadas, sempre fomos confidentes uma da outra, nossas brigas não duravam uma hora, pois, sempre arrumávamos uma desculpa para fazer as pazes.



Podemos até dizer que somos mais irmãs do que as nossas próprias irmãs de sangue podem ser de nós duas, e isso é uma verdade.
E quanto ao amor querida, por longo tempo ficamos sem namorados e quando uma conseguia um namorado, a outra imediatamente também o conseguia, parece que uma precisava do incentivo da outra para namorar, hahahah.
Novamente riram juntas.
- E o que falar do amor Patrícia, o amor quando nos toma, faz-nos voltar a ser crianças, não sentimos os pés no chão, parece que nada mais tem valor, e o que queremos é nunca sair dos braços de nosso amado. Tudo ganha cor, a vida se torna mais viva, mais alegre.



O amor é uma experiência maravilhosa, que enriquece a cada um de nós, nos ensina a crescer, nos ensina a somar, nos ensina a fortalecer as semelhanças, e é por elas que o amor cresce, somente por elas.
A esta altura Patrícia, já encontrava-se calam e atenta ao que sua amiga lhe dizia.
- Sabe Patrícia, aprendi que o amor é um estado de paz, respeito e compartilhamento de ideias, planos, vontades, desejos, escolhas.
É ao mesmo tempo em que um se permite estar no outro, o outro estará neste um, mas sem que o sentimento de posse possa ali se instalar, não que o apego possa ser a razão da proximidade e muito menos achar que o ciúme é uma forma de amor.



Não, o amor tem que ser leve, livre e respeitar ao outro e a si. O amor é como uma flor, igual as que temos em nossa floricultura.
Porque nossas clientes sempre falam que nossas flores são as mais belas da cidade? Elas dizem que nossas flores são lindas, porque são tratadas por nós com carinho, amor, zelo e concedemos atenção a elas, como se cada uma pudesse falar conosco.
Assim tem que ser o amor, ele tem que ser cuidado, tem que ser acolhido no coração e na alma. Ele tem que respirar ares de liberdade, falo da liberdade responsável, aquela que permite que a vida possa fluir por todas as vertentes da cumplicidade que o amor pode gerar. Quando se ama, não podemos amar com medo, com culpa, com condições. Estas aragens contaminam o amor e o enfraquecem até levarem-no a morte.



Não podemos igualmente nos prender ao passado para amar novamente, pois se assim o fizermos, não teremos paz em nosso presente, pois, sempre estaremos fazendo comparações com o que foi vivido, e o que se sucede com aquilo que vivemos agora. Um relacionamento sempe é diferente do outro, porque  o natural  é aprendermos cada vez mais a amar, e isto nos leva a uma qualidade melhor do amor.



Patrícia olha para Deborha como se nunca tivesse ouvido falar deste amor que lhe é descrito, mas segue apenas ouvindo a amiga, não ousa lhe interromper.
- Quando se ama Patrícia, temos que permitir sermos amados. Pode parecer contraditório o que eu te digo, mas creia, muitas vezes as pessoas querem apenas amar, outras vezes as pessoas querem apenas serem amadas, isto não é amor, podemos dar outros nomes a isto, mas não amor.



Um casal tem que ter respeito em sua relação, tem que ter atenção ao outro, ao que o outro faz, sente, pensa, deseja. Ao mesmo tempo um casal tem que saber que nem tudo que um deseja, sente, pensa ou faz tem que ser aprovado ou imposto ao outro. Uma relação também é feita de diferenças, mas estas diferenças têm que ser em pequena escala, ou seja, não podemos nos relacionar com alguém onde este alguém seja absolutamente o oposto do que sejamos, isto, nunca dará certo.



E não dará certo porque o tempo vai se encarregar em seu cotidiano de aumentar estas diferenças.  No inicio da relação podemos até nem percebe-lás, mas, com o passar do tempo elas passam a ser notadas, e com mais tempo a frente ainda, elas serão intransponíveis na harmonização da relação.
Por esta razão, as pessoas se separam com tanta facilidade, ou mantém uma relação doente por anos, sendo infelizes e desrespeitadas.



Patrícia aproveita um momento em que sua amiga faz uma pausa para uma respiração mais profunda e lhe pergunta:
- Então amiga, você acha que a minha relação tem cura?
Deborha faz-se silêncio antes de responder, mas logo retoma a sua oratória.
- Patrícia, você acha que a sua relação é prazerosa, lhe traz felicidade, lhe traz paz e há reciprocidade de sentimentos por parte do Paulo para você?
- Não. (Timidamente responde Patrícia)
- E você acha que o Paulo é feliz na relação de vocês?
- Também não. (Quase não deu para ouvi-lá)
- Então minha amiga, se nenhum de vocês dois é feliz, porque manter esta relação que já morreu?
Porque todo este seu sofrimento?



O que eu posso perceber daquilo que você me falou, é que você esta com medo de ficar sozinha, com medo do que as pessoas vão pensar de você. Parece-me que hoje, você esta querendo viver um amor que aconteceu lá no passado com o Paulo, mas que hoje já não existe mais.
Com este comportamento você não esta se respeitando como pessoa, se amando como pessoa, e nem permitindo ao Paulo e a você mesmo, a chance de serem felizes em novos caminhos que podem conceder as suas vidas.
Você tem que entender definitivamente, que o amor não aprisiona, o amor liberta, que o amor não é possuir, o amor é fluir, que o amor não é
paixão, o amor é apenas amor.


Deixe esta relação ir embora, deixe que vocês dois se curem dele, conceda-se liberdade, assim como ao Paulo igualmente seja ele livre.
Olhe para você minha querida, olhe para você com o valor que há em você.
Você não precisa ser feliz tendo que estar com alguém, você pode ser feliz estando com você mesma, porque o amor, ele não principia na união, ele principia em sua própria existência, a união com alguém apenas vai fazer com que o amor que há em você se eleve, e seja compartilhado com alguém que sinta o mesmo por si e por você.



Porque o nosso amor como amigas sempre foi consistente e forte?
Porque exatamente eu e você sempre nos permitimos ser livres e concedemos a outra liberdade, nós cultivamos este amor que se fortaleceu ano após ano, com respeito, cumplicidade, carinho, atenção e amor, muito amor que temos uma pela outra, assim como o amor que dispensamos as nossas flores.




Neste momento bem mais tranquila, Patrícia, ponderou ao longo daquilo que lhe era falado pela Deborha, e conseguiu ao final de sua conversa abrir um sorriso espontâneo e sem o peso de suas dores e de seus medos.
Mais tranquila Patrícia fala a Deborha:
- Sabe Deborha, a ouvi atentamente, e sei que você tem razão, quero ser feliz, assim como também desejo ao Paulo que ele seja feliz.



Por esta razão terei ao chegar em casa uma conversa com ele, e em acordo terminaremos a nossa relação em paz e com respeito.
Você me fez ver que eu estava errada, que eu perdi a ideia do que é amar, agora eu preciso recuperar isto em mim novamente.
Somente assim poderei um dia dizer verdadeiramente que amo alguém, pois consegui reconquistar o amor que eu tinha por mim, e poder dizer novamente que eu me amo.




Sorrindo Deborha abraça a sua amiga-irmã e lhe da um longo beijo em sua face, desejando-lhe paz e amor a cada instante de sua vida.
De mãos dadas as duas se retiram da floricultura  “Primaveras”, agora a floricultura esta mais perfumada e feliz do que jamais o fora.




Quando as rosas dos ventos soprarem em tua direção, atente para a flagrância dos amores que chegam a ti, apenas deixe-se envolver por esta atmosfera, se o amor é livre e verdadeiro. 


SEM MEDO




Vem sem medo.
Larga a vida e vem para os meus braços.
Vem sem medo de se entregar.
Meu amor não vai te machucar.
Lança os teus temores ao vento.
Arranca tuas dúvidas de teus pensamentos.
Apaga os rastros de teus passos.
Não deixa sinais para o teu passado te encontrar.
Larga esta tristeza na beira do caminho.
Deixa tudo que lembrar.
As dores que te povoavam.
Quero-te nua como a lua.
Sem tremores ou ansiedades.
Deixa tuas agonias pousadas na mesa.
Esqueça o teu endereço para jamais regressares a ele.
Abandona o teu silêncio no teu ontem.
Apenas a quero como nunca foi.
Acredita em meus amores por ti.
Ama-me como nunca amou alguém.
Faz teu melhor sorriso e sorri para mim.
Deixa o nosso amor nascer como o sol nasce.
Se elevando e aquecendo à medida que sobe as alturas.
Quero-te por inteira de hoje para sempre.
Vem e toca minha mão.
Sinta-me como a paz que te abrigou.
Como o coração que te acolheu.
Em meus afagos te prometo que adormecerás.
Em repouso terno e doce.
Como somente um homem enriquecido pelo  amor pode conceber.
Digo que te amo.
Não por que te amo.
Mas porque te amo, te amo, te amo, te...