domingo, 3 de agosto de 2014

FOI VOCÊ





Foi você.
Sim, não há como negar.
Foi você que me deixou acreditar.
Que este amor era para sempre.
Fui envolvido por tua malicia.
Por teus clamores e ardores.
Em teus carinhos e afagos.
Entreguei-me sem resistências.
E assim me conquistas-te.
E agora o que me restou?
Além da falta que me consome.
Deste inverno que congela minh’alma.
Olho ao redor e não estas mais aqui.
Enganei-me como um amor juvenil o faz.
Ao viver o seu primeiro romance.
Onde os sonhos e a realidade se confundem.
Onde o tempo não existe.
E a única crença em que acredita.
É a de que este sentimento será eterno.
Amarga ilusão plantada em inocente alma.
Fomos juntos ao céu.
E ao me abandonar lançou-me.
Aos negros porões das minhas emoções.
Onde o bem querer se fez revolta.
A alegria deu lugar a tristeza.
E o amor se tingiu de saudade.
E agora aqui estou.
Abandonado por ti.
E perdido em meu vazio.
Eu acreditei em teu amor.
Mas, você apenas brincava de amar.
Extraiu de mim o meu melhor.
Meus mais puros sentimentos.
Entreguei-me somente a ti.
Inteiramente por amor.
Saiba, que foi você quem colocou a tristeza em meus olhos.
Foi você quem mergulhou meu coração na dor.
Foi você... Foi você...


Roberto Velasco.

PENSAMENTOS




sábado, 2 de agosto de 2014

BEIJA-ME






Teus lábios me enlouquecem.
Não consigo afastar meus olhos.
Perdidamente alucinado me entrego.
Ao desejar tocá-los com suavidade.
Sentir a textura rosada que me enfeitiça.
E me forçou a denunciar-me prematuramente.
Ao demonstrar-te minha contemplação.
Fiz-me refém de tuas vontades.
Que ao perceber meu fascínio.
Fazes jeitos e bocas.
Ao movê-los em tuas falas.
Reforçando a sensualidade que deles emana.
Levando-me ainda consciente.
A experimentar doces devaneios.
Cobiço o momento em que me permitirás.
O repouso de meus lábios junto aos teus.
Faço desta espera a razão de meu viver.
Que para alguns tão pouco possa representar.
Mas, que a mim me tortura e me encanta.
Beija-me uma vez que seja.
Para que eu experimente o néctar que guardas.
Em lábios moldados pelas mãos de anjos.
Que desconhecem ao amor.
Como eu o ofereço a ti.
Ama-me agora sem pensar.
Tenha-me entre teus braços.
Tenha-me entre teus lábios.
Agora, sem pensar...
Beija-me...
Beija-me uma vez que seja...

Roberto Velasco.

OLHANDO PARA DENTRO DE MIM





A IGNORÂNCIA




A FACE DO AMOR






Falar de amor, é como falar de Deus.
Deus?
Que Deus?
Esta é a grande questão. Sabemos que existe uma força maior que é responsável por tudo àquilo que conhecemos como vida. Porém, esta força maior é uma projeção inconsciente aceita por nós, e validamos sua existência na medida em que cremos haver este ser ilimitado e único no universo.
Mas, de maneira concreta, não podemos afirmar que Deus é uma presença real em nossa realidade, ou podemos?
Não responda emocionalmente ou reativamente.



A partir desta constatação inconsciente na aceitação de que Deus seja este ser, esta força maior capaz de suprir e gerar a perfeição em escala impensável por nossa limitada e obsoleta mente humana, comcedemos e aeitamos a vida e a sua presença entre nós e em nós.
Viemos ao longo de nossa história experimentando várias ideologias religiosas e doutrinarias, mas, também registramos a presneça daqueles que se ausentam destas ideologias. As pessoas que se filiam a este pensar, são identificadas como ateus, ou seja, aqueles que não acreditam na presença de Deus, na presença desta energia maior


Cada um de nós, compreende-se filiado a um pensar que aceita alguma destas origens de crença.
Quaisquer umas destas origens, atem-se a identificar a presença ou a ausência deste Deus, em ação e na esfera terrestre e cósmica.
O homem sempre precisou de uma relação divina para se guiar em seu caminho. Ele não consegue entender esta relação e esta necessidade, mas, a manifesta mecanicamente e a traduz em fé ou em ausência de fé.
Portanto, crer na presença ou não de Deus é algo muito individual e esta condicionado ao trajeto de vida desenvolvido pelo ser ao longo de suas encarnações na terra ou fora dela, embora, esta ultima, seja muito limitada a aceitação e a compreensão para a grande maioria das pessoas.
Nossa sociedade é muito preconceituosa e castradora, dotada de censura e crítica muito rigorosas, contra toda a teoria que esteja desvinculada do censo comum.
Por esta razão, muitos de nós nos sentimos constrangidos em falar em público sobre temas que dissertam sobre a vida, quando há divergência dos conceitos aceitos por esta sociedade.


Um destes temas é discutir Deus.
Todas as religiões dão um nome próprio a aquilo que chamam de Deus, e a este Deus, é concedido Virtudes que somente podem ser atribuídas a uma força maior.
Igualmente, a este Deus é atribuído a virtude maior de todas, o Amor, mas, também a ele pode ser atríbuda na contra mão da verdade, aquele que  castriga.
Este amor é compreendido por nós como o alimento que nos sustenta, e que nos eleva a uma condição maior de vida, consciência e iluminação.
Dizemos que somos a imagem e semelhança de Deus, contudo, esta identificação pode ser uma blasfêmia da qual não tenhamos a consciência plena do que estamos afirmando.
Pois se Deus é a fonte maior, e esta fonte maior é puro Amor, como pode ele ter gerado filhos tão inferiores e limitados em relação a esta mesma energia???
E ainda, para aqueles qie o consideram o carrasco que castiga aos “maus”, como pode ser idnentificado duas energias opostas no mesmo ser maior???


O humano é muito orgulhoso e pretensioso, como o sabemos, por experiência construída por cada um de nós.
Nesta alusão que fazemos em  ser a semelhança de Deus, em que momento paramos para pensar, que a maior semelhança com Deus que poderíamos manifestar é aquela que rege a todas as demais, o Amor.
Pergunto-me:
Amparado neste pensamento, como podemos acreditar que sejamos a imagem e semelhança de Deus, quando não conseguimos manifestar a energia mais pura que dele é irradiada em nossa direção?
Será que não paramos para pensar, que nos faltou amor, quando seu filho esteve entre nós?
Não paramos para pensar que o nosso medo ao amor foi a causa da morte de Jesus?
Será que não percebemos que fomos nós, que matamos Jesus, a mais pura expressão do amor na terra?
E por fim, será que não paramos para pensar que temos uma rejeição muito grande ao amor?


Estou me referindo a FATOS e não a hipóteses. Olhe a sua volta, em seu meio familiar, social e mundial. O que vemos é uma explicita e clara rejeição ao amor, embora, o esforço de algumas hierarquias no sentido de despertar o humano para esta energia, há uma forte oposição a este acontecimento.
Talvez o humano quando observar a limitação da qual é agente, deixe de tentar endeusar-se e comparar-se a Deus.
Quando aceitarmos que somos apenas mais uma raça a povoar o universo, poderemos abandonar nossas pretensões movidas pelo ego. Se não conseguimos ver ao nosso irmão que esta ao nosso lado como igual a nós, que dizer de seres cósmicos, que igualmente se encontram em um caminho evolutivo no tempo, espaço e realidade inerente a sua jornada pessoal.
Acredito que aprendemos na dor e no sofrimento, simplesmente porque não sabemos amar, e o pior, temos medo de amar.


Não posso ver individualidades, tenho de me referir ao todo do que somos. Uma civilização composta hoje em torno de oito bilhões de habitantes, que se movem por diferenças culturais, sociais, econômicas, étnicas, religiosas entre outras.
Isto tudo, pode estabelecer uma grande diversidade em nível de vida, mas, também estabelece uma grande e imensa diferença entre os povos, o que gera afastamentos e o acirramento de conflitos, exatamente em decorrência deste medo que há em amarem uns aos outros, e não respeitarem as suas diferenças.
Infelizmente é isto que  acontece, e os registros históricos nos advertem desta realidade que se manifesta ciclicamente em nosso planeta, gerando eventos contundentes e extremamente danosos a vida e a instalação do amor entre nós.
Vejo este momento com muitas restrições, com muitos cuidados, e próximo do auge nestas diferenças que acontecem em todos os níveis da vida na terra.
Em razão desta constatação, venho apelar a aqueles que comungam de um pensamento próximo ao meu, para que dirijam suas orações e apelos a Deus e aos seus amparadores, no sentido de que ocorra interferência AGORA, em favor do Amor na terra.
Para alguns outros, apelo que direcionem seus pensamentos criativos para a transmutação desta atmosfera reinante no planeta, e que o amor possa encontrar espaço nos corações humanos, para se instalar e ser manifestado como energia única em nossa sociedade.


Creio não estar sendo cético ou pessimista, mesmo diante, de avanços que experimentamos em algumas sociedades humanas, é muito pequeno o número de pessoas que formam um bloco de luz centrado no amor.
Precisamos de mais pessoas, de mais corações.
Necessitamos urgentemente, olhar para o nosso interior e desvincularmo-nos de conceitos e padrões que expressem cumplicidade, com a ignorância e a imbecilidade, que de maneira corrente domina ao humano desprovido de um maior pensar reflexivo e ponderado.


Roberto Velasco.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

VIDA, CAOS E AMOR



A vida é energia em movimento transformando-se, em constante pulsar, assumindo formas, cores, complexidades, estruturas e propósitos que se metamorfoseiam assumindo vertentes da vida em suas mais infinitas experiências e possibilidades.
Os circuitos elétricos nos quais ela se propaga são constituídos por micro canais espiralados que são movidos e direcionados a intenção da vida para a qual a energia se destina em propósito, e em que ambiente ela há de se manifestar.
O fluxo e a intensidade da mesma, podem variar sob todas as qualidades de que ela seja constituída, assim como, pode agregar em seu movimento outras qualidades que se vinculem ao propósito de sua criação. Algumas leis são inalienáveis neste processo, mas, como o criar sempre esta em constante ebulição vibratória, não há condicionamentos que possam limitar sua propagação ou a sua constituição ao encontrar o ambiente e a razão de sua criação.



Todo o processo criativo obedece a uma lei geral que se desmembra em várias vertentes de manifestação, qualidade e gênero, sempre estando afinada com a sua consciência primaz que habita em cada átomo que vibra no universo.
Esta lei é presente em toda a emanação de vida, distinguindo-se pelo seu estado vibratório, ativo ou passivo, desperto ou letárgico segundo a consciência que se vale da energia em si mesmo.
Operar o processo da vida requer uma  consciência desperta, ciente e plenamente vinculada com a lei geral e presente em toda a manifestação da vida. O universo  apresenta bilhões de potenciais criativos que vai desde o absoluto caos até a mais plena expressão da harmonia identificada naquilo que limitadamente conhecemos pelo nome de perfeição.
Estrelas, constelações e universos se confundem e se interpenetram em constantes ciclos de vida, onde desde o mais profundo caos até a mais absoluta perfeição, no criar, gerar e aperfeiçoar o estado da vida é o único aspecto imutável da própria vida em si mesma.
Há em cada átomo de vida uma consciência que o remete ao degrau imediatamente acima na escala de aperfeiçoamento. Esta consciência interpenetra uma força eletromagnética carregada e programada para evoluir obedecendo a ciclos ascendentes e descendentes, de expansão e retração, de união e separação, mas sem nunca perder o vinculo com a consciência primaz presente em si e em toda a forma de vida a sua volta, seja esta vida, manifestada em que plano, dimensão ou atmosfera ela possa estar vibrando.



A lei geral a que me refiro e que permeia a tudo é o Amor. Nada pode ser sustentado por muito tempo sem a qualidade do amor em sua vibração. Nada se mantém integrado em si mesmo se a ausência do amor for estendida por um tempo demasiadamente longo. O universo somente encontra a harmonia quando esta energia, esta em vibração, seja em processo de desenvolvimento ou em sua manifestação plena.
 Quando esta energia torna-se demasiadamente fraca e praticamente nula em períodos de tempo prolongados, o fluxo natural da vida nestes casos registra a instalação da frequência do caos que atua como elemento desagregador e desintegrador da realidade carente da frequência do amor, para que a partir deste processo Caótico, possam novas possibilidades serem geradas já com um novo dinamismo de vida constituído de potenciais amorosos.
Desta maneira, fica evidenciado que a vida em seu processo de criação e recriação não pode prescindir da presença do amor em sua constituição e vibração.



O que podemos perceber em nossa realidade terrena, é varias vertentes de vida, compostas por múltiplas qualidades desenvolvidas por micro e macro organismos vivos, que se somam a se relacionam em um processo contínuo de sustentação e  desenvolvimento da vida em sua expressão máxima.
Em nosso planeta somos vizinhos dos reinos animal, vegetal e mineral.
Vidas estas, totalmente por nós desconhecidas em sua essência como fontes criadoras da vida em um ângulo mais ampliado de observação. O caráter cientifico que podemos emprestar na observação da presença destes reinos entre nós, nos direciona ao aspecto de suas existências e consequêencias físicas, que se registram no ambiente, nelas próprias e sua influência no reino humano, mas, muito pouco os percebemos como fontes próprias de energia e vida criativa.
Nosso contato com estes seres, se da mais em nível de os percebemos como seres que estão aqui exclusivamente para, nos servirem dentro das funções e utilidades para as quais cada um deles foi por nós definida. Não os observamos como filhos da mesma fonte que nos gerou, esquecemo-nos que a vida se manifesta em qualquer  consciência, por mais frágil ou simples que ela possa se constituir.


Há aqui um erro de avaliação que cometemos sobre a presença destes seres aqui na terra. Precisamos reformular esta visão, e orientar-nos para estabelecermos, uma convivência mais integrada com o mais elevado conceito e manifestação da vida, que sejamos capazes de permitir perceber.
Devemos imediatamente abandonar o comportamento egoísta, de que nos colocamos acima destes, como se eles fossem adorno e utensílios em nossos lares, ou prestam-se para o consumo e sustentação da vida nesta realidade material.
A vida tem que ser observada como uma integração única e indivisível, permitindo que as varias formas e conceitos da mesma, possam alcançar o seu crescimento, para o nível imediatamente acima de onde estão em um dado momento.
O humano gerou um comportamento individualista, e acredita que a vida que o acompanha na terra, basicamente esta aqui para servi-lo diante de seus isntintos e desejos. 



Na própria espécie humana a vida deixou lacunas profundas na construção de conceitos que atravessaram milênios em desagravo com a lei maior. Subjugada que foi pelas vertentes gélidas da lastimável consciência humana voltada e submissa ao medo de amar.
Atravessamos civilizações, eras e ciclos cósmicos que reforçaram um padrão desagregador, e que nos leva gradativamente a um estado caótico nas relações com o planeta e a vida que agoniza a nossa volta. 
A vida constitui-se em algo muito alem do que a mortalidade em nosso corpo pode presumir. Anestesiamos em nós, nossa maior virtude que é o amor, em favor de uma efêmera vivência limitada, entre o nascimento e a presumível morte deste corpo físico. Até neste particular, somos levados a crer que nosso corpo físico, naquilo que entendemos por morte é totalmente desconstituído, doce ilusão para aqueles que percebem a vida por horizontes limitados. Estes não conseguem perceber que inclusive em seu corpo físico, a renovação da vida se faz a partir de um estado caótico que se instala no corpo do individuo levando-o a perda  deste corpo. Para que em um momento seguinte, ele retorne a vida material sustentado por um novo organismo físico, com a Capacidade de desenvolver uma vida mais sintonizada com o amor.
Ao desenvolvermos o direito a vida que nos foi concedida por Deus, esquecemos que a vida é sagrada, pelo simples fato de que ela provém de Deus.
Não conseguimos enxergar que quando retiramos a vida de outrem ou a nossa, estamos de fato negando a própria vida em Deus.
Nosso ego inflou-se de tal maneira que filiamo-nos a idéias, conceitos e atitudes que cada vez mais se distanciam de nós mesmos.
A vida recria-se em si mesma, regenera-se a cada instante, e promove o movimento incontido e intermitente do amor, mas que, negado em nós como conseqüência de nossas manifestações descomprometidas com a própria vida, através daquilo que geramos a partir de nossas experiências, nos conduz aos abismos das dores e dos medos nos quais a personalidade humana se vincula existência após existência.



O retrato que temos de nossa sociedade é deprimente. Somos aproximadamente oito bilhões de pessoas no planeta, que vive e sobrevive  miseravelmente.
Mas, me pergunto, quantos destes desenvolvem suas existências nutridas pela energia do Amor?
A resposta me foge sem seuqer me alcançar uma tênue esperança de otimismo, que possa me sugerir algo diferente daquilo que nossos livros de história nos informaram ao longo dos tempos, onde a vida era desrespeitada e desvalorizada, em favor de valores comprometidos com o poder e o domínio sobre o outro.
Se em nossa própria espécie, não conseguimos respeitar a vida, pressupor comportamento distinto para com as demais vertentes da vida entre nós, somente pode ser entendido em nós como inocência ou aptidão a utopia.



AS relações sociais nas quais a civilização humana mergulhou nas últimas décadas estabeleceram um antagonismo explicito, em situações da realidade cotidiana, quando esta, se depara com momentos de dramaticidade. O risco eminente de morte, ou a própria morte quando registrada, provoca comoção na sociedade que imediatamente abandona seu comportamento egoísta e reage em solidariedade a comunidade social onde o evento se registrou.
Há nestas ocasiões uma pronta reação em socorro aos atingidos pelo episódio. O acolhimento que a sociedade se permite emprestar nestas situações, é extremamente comovente, e nestes casos, não existem limites materiais, geográficos, de abastecimento e de profunda empatia com os afetados direta e indiretamente pelo episódio.
Nestes instantes a vida se faz mais vida, exatamente no limite de sua existência, aí se reconhece o valor da vida no outro e o quanto este outro é importante para cada um de nós. O sentido de unidade emerge de maneira espontânea, e envolve a todos na direção de um mesmo propósito, acolher, auxiliar, estender a mão e preservar a vida.



Se assim o fazemos nestes casos extremos, porque ainda resistimos em nosso cotidiano em adotar tal comportamento?
E por que, quando o episódio é vencido ou se distância no tempo as pessoas simplesmente retornam ao seu comportamento anterior?
O que leva o homem a segregar o seu irmão nas horas comuns, enquanto que nas horas extremas age de maneira diametralmente oposta?
Quando permitimos enunciar tais questões, começamos a aproximarmo-nos dos limites de nossos pontos de conforto e de nossos padrões egóicos.    
Sabemos que cada pessoa desenvolveu uma experiência única, mesmo fazendo parte do mesmo núcleo familiar. As vivências, a maneira como percebe a vida e como as circunstâncias da vida, promovem em cada um, percepções e reações distintas, estabelece a exclusividade e a independência na formação da personalidade de cada um.
Desta maneira, uma situação ocorrida em uma mesma família pode provocar bem estar a um destes membros, mas ao outro, pode gerar algum tipo de seqüela em decorrência deste último ter se sentido de alguma maneira atingido pela situação comum a toda a família. Mas, tendo ele sido afetado de maneira distinta dos demais, pelas percepções exclusivas que ele foi capaz de gerar a partir de seu aparelho psicológico, vai consequentemente produzir reações impares e absolutamente regidas por padrões que o governam intimamente.



A exclusividade e a percepção própria de cada um, gera as distinções entre os vários grupos sociais que habitam o planeta.
Conseqüentemente cada um cria para si, padrões, crenças e hábitos que são sustentados exatamente pelas suas experiências de vida, cujas conseqüências serão sentidas em cada um de maneira muito particular.
Assim sendo, ver a vida de maneira comum tornou-se uma utopia. Somos movidos por desejos, sensações, instintos e diferentes capacidades cognitivas resultantes do próprio viver.
Há muito tempo perdemos o contato com a simplicidade e a humildade. Desenvolvemos uma personalidade voltada a gerar fatos e conquistas, que incorporadas a nossa personalidade e vida, as transformaram em uma verdadeira arvore de natal, cheia de luzes, cores e adereços que asfixiaram a própria arvore retirando-lhe a capacidade de oxigenar-se.
A conquista ou não destas luzes, cores e adereços, remete-nos a dois estados distintos da personalidade.
Quando as conquistas se fizeram fato na vida da personalidade, esta se deixa deslumbrar com os louros da vitória, adquirindo neste instante padrões que se identifiquem com a sua auto-suficiência, mas, para aqueles que não galgaram vitórias, assumem padrões afinados com a derrota e a cobrança  que a sociedade gerou e que se impõe a todos.
Afinal, a vida é uma simples realidade concreta a ser desenvolvida ou, a vida é uma infinita manifestação do amor em suas mais diversas possibilidades?

Quem se dará o direito de pensar sobre isto?




Roberto Velasco,